Ir para o conteúdo
Acesse a demonstração gratuita

fluxo do paciente

Gestão de leitos do paciente cirúrgico: da enfermaria à recuperação

Resposta direta

A gestão de leitos do paciente cirúrgico liga a enfermaria, o centro cirúrgico e a recuperação pós-anestésica (SRPA). Ela faz o paciente chegar preparado na hora certa e reserva um leito de destino para a saída da recuperação. Quando o leito não está pronto, o paciente fica retido na SRPA, e a próxima cirurgia pode atrasar.

Atualizado em · Equipe frank · 5 min de leitura

Por que a gestão de leitos afeta o centro cirúrgico?

O paciente cirúrgico passa por pelo menos três lugares: o leito onde é preparado, a sala cirúrgica e a recuperação. Depois, segue para a enfermaria ou para a terapia intensiva.

  • Antes da sala: paciente sem preparo completo atrasa a entrada e pode suspender a cirurgia.
  • Depois da sala: sem leito de destino, o paciente fica na recuperação, e a recuperação cheia segura a saída das salas.
  • No dia seguinte: alta tardia na enfermaria ocupa o leito que o próximo paciente cirúrgico usaria.

Como preparar o paciente na enfermaria?

O checklist pré-operatório confere o preparo antes de o paciente seguir para o centro cirúrgico. Os itens variam por protocolo e costumam incluir estes.

  • Identificação do paciente, com pulseira conferida.
  • Jejum conforme a orientação da anestesia.
  • Termos de consentimento assinados.
  • Exames pré-operatórios disponíveis.
  • Alergias registradas e visíveis.
  • Retirada de adornos e próteses removíveis.
  • Demarcação do local da cirurgia, quando indicada.

O risco de tromboembolismo venoso costuma ser avaliado nessa etapa. O escore de Caprini soma fatores de risco do paciente cirúrgico para orientar a profilaxia.[6]

As faixas de risco do Caprini variam entre versões do modelo. Uma revisão de 57 estudos encontrou limiares de alto risco entre 5 e 10 pontos. Por isso, a faixa adotada fica no protocolo do hospital.[7]

Como funciona a liberação para o centro cirúrgico?

  1. O centro cirúrgico chamaA coordenação da sala ou da mesa do centro cirúrgico chama o paciente com antecedência, conforme o tempo de preparo e de transporte.
  2. A enfermaria liberaCom o checklist pré-operatório completo, a enfermaria libera o paciente e registra o horário.
  3. O transporte levaO paciente é levado com a documentação e os itens do preparo.
  4. A porta confereNa chegada ao centro cirúrgico, a equipe confere identificação, lateralidade, jejum e termos antes de seguir para a sala.

Cada passo com horário registrado mostra onde a espera acontece. Sem esse registro, todo atraso parece ser da sala.

Como funciona a alta da recuperação pós-anestésica?

A escala de Aldrete e Kroulik, de 1970, é uma referência clássica para avaliar a recuperação pós-anestésica. A versão revisada de 1995 trocou a cor da pele pela saturação de oxigênio.[1][2]

Critérios da escala de Aldrete modificada, de 0 a 2 pontos cada (total de 10)[3]
Critério2 pontos1 ponto0 ponto
AtividadeMove os quatro membrosMove dois membrosNão move os membros
RespiraçãoRespira fundo e tosseDispneia ou respiração limitadaApneia
CirculaçãoPressão arterial até 20% do valor pré-anestésicoEntre 20% e 49%50% ou mais
ConsciênciaTotalmente despertoDesperta ao ser chamadoNão responde
Saturação de oxigênioAcima de 92% em ar ambienteAcima de 90% com oxigênioAbaixo de 90% mesmo com oxigênio

A pontuação mínima para a alta é definida pelo protocolo do hospital. Uma referência internacional cita 9 ou mais, e um estudo brasileiro publicado na Revista SOBECC usou 8 ou mais.[4][5]

Por que reservar o leito de destino antes da saída da sala?

A recuperação é dimensionada para observação, e não para espera. Quando o leito de destino só é procurado depois da alta da recuperação, o paciente ocupa uma vaga que a sala seguinte vai precisar.

Reservar o leito no momento em que o paciente sai da sala dá à enfermaria o tempo do pós-operatório imediato para preparar o quarto.

Quais indicadores acompanhar?

  • Tempo de permanência na recuperação pós-anestésica, por tipo de cirurgia.
  • Pacientes retidos na recuperação por falta de leito de destino.
  • Tempo entre o chamado do centro cirúrgico e a chegada do paciente.
  • Percentual de pacientes liberados com o checklist pré-operatório completo.
  • Horário das altas da enfermaria ao longo do dia.

Como o frank apoia a gestão de leitos

No frank, enfermaria e recuperação ficam no mesmo mapa de leitos. A equipe atribui e troca leitos, registra o checklist pré-operatório e o escore de Caprini e libera o paciente quando o centro cirúrgico chama.

Na saída da sala, o leito de destino fica reservado. Na recuperação, a escala de Aldrete é registrada, e o checklist de alta encerra a passagem.

Perguntas frequentes

Qual a pontuação de Aldrete para a alta da recuperação?

Depende do protocolo do hospital. A escala vai de 0 a 10, e as referências citam 9 ou mais e 8 ou mais como pontuação mínima.

O que entra no checklist pré-operatório?

Em geral, identificação, jejum, termos assinados, exames, alergias, retirada de adornos e demarcação do local quando indicada. A lista final é definida pelo protocolo do hospital.

Para que serve o escore de Caprini?

Para estimar o risco de tromboembolismo venoso do paciente cirúrgico e orientar a profilaxia. As faixas de risco variam entre versões do modelo e são definidas no protocolo do hospital.

Por que o paciente fica retido na recuperação pós-anestésica?

Em geral, porque o leito de destino não está pronto. Reservar o leito quando o paciente sai da sala reduz essa espera.

Fontes

  1. Aldrete JA, Kroulik D. A postanesthetic recovery score. Anesthesia & Analgesia, v. 49, 1970.
  2. Aldrete JA. The post-anesthesia recovery score revisited. Journal of Clinical Anesthesia, v. 7, 1995.
  3. Deshmukh P, Chakole V. Post-anesthesia recovery: a comprehensive review of Sampe, modified Aldrete, and White scoring systems. Cureus, 2024.
  4. PACU discharge criteria. OpenAnesthesia (International Anesthesia Research Society), 2026.
  5. Luna AA et al. Parâmetros fisiológicos dos pacientes na recuperação anestésica: estudo transversal. Revista SOBECC, v. 29, e2429978, 2024.
  6. Caprini JA. Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care. Disease-a-Month, v. 51, 2005.
  7. Hayssen H et al. Systematic review of venous thromboembolism risk categories derived from Caprini score. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, v. 10, 2022.