fluxo do paciente
Gestão de leitos do paciente cirúrgico: da enfermaria à recuperação
Resposta direta
A gestão de leitos do paciente cirúrgico liga a enfermaria, o centro cirúrgico e a recuperação pós-anestésica (SRPA). Ela faz o paciente chegar preparado na hora certa e reserva um leito de destino para a saída da recuperação. Quando o leito não está pronto, o paciente fica retido na SRPA, e a próxima cirurgia pode atrasar.
Por que a gestão de leitos afeta o centro cirúrgico?
O paciente cirúrgico passa por pelo menos três lugares: o leito onde é preparado, a sala cirúrgica e a recuperação. Depois, segue para a enfermaria ou para a terapia intensiva.
- Antes da sala: paciente sem preparo completo atrasa a entrada e pode suspender a cirurgia.
- Depois da sala: sem leito de destino, o paciente fica na recuperação, e a recuperação cheia segura a saída das salas.
- No dia seguinte: alta tardia na enfermaria ocupa o leito que o próximo paciente cirúrgico usaria.
Como preparar o paciente na enfermaria?
O checklist pré-operatório confere o preparo antes de o paciente seguir para o centro cirúrgico. Os itens variam por protocolo e costumam incluir estes.
- Identificação do paciente, com pulseira conferida.
- Jejum conforme a orientação da anestesia.
- Termos de consentimento assinados.
- Exames pré-operatórios disponíveis.
- Alergias registradas e visíveis.
- Retirada de adornos e próteses removíveis.
- Demarcação do local da cirurgia, quando indicada.
O risco de tromboembolismo venoso costuma ser avaliado nessa etapa. O escore de Caprini soma fatores de risco do paciente cirúrgico para orientar a profilaxia.[6]
As faixas de risco do Caprini variam entre versões do modelo. Uma revisão de 57 estudos encontrou limiares de alto risco entre 5 e 10 pontos. Por isso, a faixa adotada fica no protocolo do hospital.[7]
Como funciona a liberação para o centro cirúrgico?
- O centro cirúrgico chamaA coordenação da sala ou da mesa do centro cirúrgico chama o paciente com antecedência, conforme o tempo de preparo e de transporte.
- A enfermaria liberaCom o checklist pré-operatório completo, a enfermaria libera o paciente e registra o horário.
- O transporte levaO paciente é levado com a documentação e os itens do preparo.
- A porta confereNa chegada ao centro cirúrgico, a equipe confere identificação, lateralidade, jejum e termos antes de seguir para a sala.
Cada passo com horário registrado mostra onde a espera acontece. Sem esse registro, todo atraso parece ser da sala.
Como funciona a alta da recuperação pós-anestésica?
A escala de Aldrete e Kroulik, de 1970, é uma referência clássica para avaliar a recuperação pós-anestésica. A versão revisada de 1995 trocou a cor da pele pela saturação de oxigênio.[1][2]
| Critério | 2 pontos | 1 ponto | 0 ponto |
|---|---|---|---|
| Atividade | Move os quatro membros | Move dois membros | Não move os membros |
| Respiração | Respira fundo e tosse | Dispneia ou respiração limitada | Apneia |
| Circulação | Pressão arterial até 20% do valor pré-anestésico | Entre 20% e 49% | 50% ou mais |
| Consciência | Totalmente desperto | Desperta ao ser chamado | Não responde |
| Saturação de oxigênio | Acima de 92% em ar ambiente | Acima de 90% com oxigênio | Abaixo de 90% mesmo com oxigênio |
A pontuação mínima para a alta é definida pelo protocolo do hospital. Uma referência internacional cita 9 ou mais, e um estudo brasileiro publicado na Revista SOBECC usou 8 ou mais.[4][5]
Por que reservar o leito de destino antes da saída da sala?
A recuperação é dimensionada para observação, e não para espera. Quando o leito de destino só é procurado depois da alta da recuperação, o paciente ocupa uma vaga que a sala seguinte vai precisar.
Reservar o leito no momento em que o paciente sai da sala dá à enfermaria o tempo do pós-operatório imediato para preparar o quarto.
Quais indicadores acompanhar?
- Tempo de permanência na recuperação pós-anestésica, por tipo de cirurgia.
- Pacientes retidos na recuperação por falta de leito de destino.
- Tempo entre o chamado do centro cirúrgico e a chegada do paciente.
- Percentual de pacientes liberados com o checklist pré-operatório completo.
- Horário das altas da enfermaria ao longo do dia.
Como o frank apoia a gestão de leitos
No frank, enfermaria e recuperação ficam no mesmo mapa de leitos. A equipe atribui e troca leitos, registra o checklist pré-operatório e o escore de Caprini e libera o paciente quando o centro cirúrgico chama.
Na saída da sala, o leito de destino fica reservado. Na recuperação, a escala de Aldrete é registrada, e o checklist de alta encerra a passagem.
Perguntas frequentes
Qual a pontuação de Aldrete para a alta da recuperação?
Depende do protocolo do hospital. A escala vai de 0 a 10, e as referências citam 9 ou mais e 8 ou mais como pontuação mínima.
O que entra no checklist pré-operatório?
Em geral, identificação, jejum, termos assinados, exames, alergias, retirada de adornos e demarcação do local quando indicada. A lista final é definida pelo protocolo do hospital.
Para que serve o escore de Caprini?
Para estimar o risco de tromboembolismo venoso do paciente cirúrgico e orientar a profilaxia. As faixas de risco variam entre versões do modelo e são definidas no protocolo do hospital.
Por que o paciente fica retido na recuperação pós-anestésica?
Em geral, porque o leito de destino não está pronto. Reservar o leito quando o paciente sai da sala reduz essa espera.
Fontes
- Aldrete JA, Kroulik D. A postanesthetic recovery score. Anesthesia & Analgesia, v. 49, 1970.
- Aldrete JA. The post-anesthesia recovery score revisited. Journal of Clinical Anesthesia, v. 7, 1995.
- Deshmukh P, Chakole V. Post-anesthesia recovery: a comprehensive review of Sampe, modified Aldrete, and White scoring systems. Cureus, 2024.
- PACU discharge criteria. OpenAnesthesia (International Anesthesia Research Society), 2026.
- Luna AA et al. Parâmetros fisiológicos dos pacientes na recuperação anestésica: estudo transversal. Revista SOBECC, v. 29, e2429978, 2024.
- Caprini JA. Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care. Disease-a-Month, v. 51, 2005.
- Hayssen H et al. Systematic review of venous thromboembolism risk categories derived from Caprini score. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, v. 10, 2022.