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Atraso da primeira cirurgia do dia: causas e como medir

Resposta direta

O atraso da primeira cirurgia é a diferença entre o horário programado e o início real da primeira cirurgia do dia em cada sala. Ele importa porque se propaga: o primeiro caso atrasado empurra os seguintes e pode suspender o último. Para reduzi-lo, defina o marco de início e registre a causa de cada atraso. Resolva na véspera o que depende de paciente, equipe, material e leito.

Atualizado em · Equipe frank · 5 min de leitura

O que é o atraso da primeira cirurgia?

É a diferença entre o horário programado para a primeira cirurgia de cada sala e o horário em que ela começou de fato. O indicador costuma ser apresentado como pontualidade: o percentual de salas que começaram no horário.

A primeira cirurgia recebe atenção especial porque não depende do giro de outra cirurgia. Quando ela atrasa, a causa costuma estar no preparo: paciente, equipe, material ou sala.

Como medir a pontualidade da primeira cirurgia?

Pontualidade da primeira cirurgia

pontualidade (%) = salas com a primeira cirurgia iniciada no horário ÷ salas com primeira cirurgia programada × 100

Antes de medir, decida duas coisas e mantenha a decisão: qual marco conta como início e qual tolerância é aceita.[1]

As decisões de definição e as opções usadas
DecisãoOpções comunsCuidado
Marco de inícioEntrada do paciente na sala ou incisãoA entrada na sala mede o fluxo; a incisão inclui o tempo de anestesia
TolerânciaDe zero a 15 minutos, conforme o hospitalTolerância grande esconde o atraso crônico
Horário programadoO do mapa fechado na vésperaMudar o horário no próprio dia apaga o atraso

Quanto atrasam as primeiras cirurgias nos hospitais brasileiros?

Em um hospital terciário estudado em 2022, 39,3% das primeiras cirurgias começaram 20 minutos ou mais depois do horário. O atraso médio foi de 32,8 minutos.[2]

Em um hospital universitário público avaliado na revista Einstein, a primeira cirurgia das salas observadas começou, em média, 71,7 minutos depois das 7h.[3]

O atraso tem custo mensurável. Um estudo norte-americano estimou que cada minuto a menos no atraso da primeira cirurgia reduz cerca de 1,1 minuto de custo de equipe programada.[4]

Por que o atraso da primeira cirurgia se propaga?

Cada cirurgia da sala começa depois da anterior. Um atraso no primeiro caso empurra todos os casos seguintes, e o último pode passar do horário da sala ou ser suspenso.

Um plano de melhoria do Hospital de Clínicas da Unicamp registrou, no diagnóstico, que as cirurgias começavam depois das 8h30. O mesmo levantamento atribuiu 58% dos cancelamentos à justificativa de falta de tempo.[6]

Quais são as causas do atraso?

Causas frequentes e o que pode ser feito na véspera
CausaExemploPrevenção
PacientePreparo incompleto, jejum não confirmado, termo sem assinaturaChecklist pré-operatório completo na véspera
EquipeCirurgião, anestesista ou instrumentador ainda não presenteEscala confirmada e horário de chegada combinado
MaterialCaixa ou OPME indisponível no horárioMaterial do primeiro caso conferido na véspera
LeitoVaga de terapia intensiva não confirmadaReserva confirmada antes do início
SalaEquipamento sem teste, sala não montadaSala montada e testada antes do horário

O leito é uma causa que costuma ficar escondida. No mesmo diagnóstico da Unicamp, 80% dos leitos de terapia intensiva eram liberados depois das 7h50. A liberação desses leitos aparece entre as causas do atraso.[6]

Como reduzir o atraso da primeira cirurgia?

Em um hospital canadense, um programa de melhoria elevou o percentual de primeiras cirurgias no horário de cerca de 6% para 60% em nove meses. As causas atacadas foram equipe médica indisponível e paciente sem preparo.[5]

  1. Feche o mapa na vésperaO primeiro caso de cada sala sai da reunião de programação com todas as pendências resolvidas.
  2. Chame o primeiro paciente cedoO chamado considera preparo e transporte, para o paciente chegar antes do horário da sala.
  3. Confirme a equipeA escala de cada sala é conferida no início do turno, com substituto definido para as faltas.
  4. Registre a causa de cada atrasoUma lista curta de causas padronizadas permite ver qual se repete por sala e por especialidade.
  5. Mostre o resultadoO horário de início de cada sala, dia a dia, fica visível para as equipes e para a gestão.

Como o frank acompanha a primeira cirurgia

No frank, o relatório mostra o horário da primeira cirurgia de cada sala, dia a dia, comparado à meta do hospital. A causa de cada atraso fica registrada e orienta a correção.

Na véspera, o mapa é fechado com as pendências à vista. No dia, o chamado do paciente, a liberação da enfermaria e a conferência na porta têm horário registrado.

Perguntas frequentes

Qual marco usar como início da primeira cirurgia?

Costumam ser usados a entrada do paciente na sala e a incisão. A entrada na sala mede o fluxo de preparo; a incisão inclui o tempo de anestesia. Escolha um e mantenha.

Por que a primeira cirurgia é medida à parte?

Porque ela não depende do giro de outra cirurgia. O atraso dela mostra problemas de preparo, de equipe ou de material, e se propaga para o resto do dia.

Qual tolerância usar para considerar a cirurgia no horário?

Cada hospital define a sua, e a literatura registra tolerâncias de zero a 15 minutos. Tolerâncias pequenas mostram melhor o problema, e a mesma precisa valer em todos os períodos comparados.

Fontes

  1. Fixler T, Wright JG. Identification and use of operating room efficiency indicators: the problem of definition. Canadian Journal of Surgery, v. 56, 2013.
  2. Sousa LR et al. Avaliação de indicadores de qualidade na gestão do centro cirúrgico de um hospital terciário. Medicina (Ribeirão Preto), v. 55, 2022.
  3. Costa Jr AS et al. An assessment of the quality indicators of operative and non-operative times in a public university hospital. Einstein (São Paulo), v. 13, 2015.
  4. Dexter F, Epstein RH. Typical savings from each minute reduction in tardy first case of the day starts. Anesthesia & Analgesia, v. 108, 2009.
  5. Wright JG, Roche A, Khoury AE. Improving on-time surgical starts in an operating room. Canadian Journal of Surgery, v. 53, 2010.
  6. Otimização do tempo de uso de sala do centro cirúrgico (A3 Lean). Hospital de Clínicas da Unicamp, 2021.