segurança do paciente
Checklist de Cirurgia Segura da OMS: como aplicar e medir a adesão
Resposta direta
O checklist de Cirurgia Segura é a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da Organização Mundial da Saúde (OMS), aplicada em três momentos: antes da indução anestésica, antes da incisão e antes de o paciente sair da sala. No Brasil, ele integra o Protocolo para Cirurgia Segura do Ministério da Saúde. A adesão é o percentual de procedimentos em que a lista foi aplicada.
O que é o checklist de Cirurgia Segura?
É a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica, criada pela OMS na campanha "Cirurgias seguras salvam vidas". A versão em uso é a revisão de janeiro de 2009. A lista organiza conferências simples que a equipe faz em voz alta, em três momentos da cirurgia.[1][2]
A escala explica a atenção ao tema. Um estudo publicado na revista The Lancet estimou 234,2 milhões de grandes cirurgias por ano no mundo, com dados de 2004.[3]
A atualização do mesmo grupo chegou a 312,9 milhões de cirurgias em 2012, um aumento de 33,6% em oito anos.[4]
Quais são as três etapas e o que cada uma confere?
A tradução oficial brasileira chama as etapas de Entrada, Pausa cirúrgica e Saída. Na rotina de muitos hospitais, elas são conhecidas pelos termos em inglês: Sign in, Time-out e Sign out.[2]
| Etapa | Quando | O que a equipe confere |
|---|---|---|
| Entrada (Sign in) | Antes da indução anestésica | Paciente confirma identidade, local, procedimento e consentimento. Local demarcado. Equipamento e medicamentos de anestesia verificados. Oxímetro funcionando. Alergias, via aérea difícil e risco de perda sanguínea acima de 500 ml (7 ml/kg em crianças). |
| Pausa cirúrgica (Time-out) | Antes da incisão | Equipe apresentada por nome e função. Paciente, procedimento e local da incisão confirmados. Antibioticoprofilaxia nos últimos 60 minutos. Eventos críticos previstos. Esterilidade confirmada, inclusive pelos indicadores, e imagens essenciais disponíveis. |
| Saída (Sign out) | Antes de o paciente sair da sala | Nome do procedimento. Contagem de instrumentais, compressas e agulhas. Identificação das amostras. Problemas com equipamentos. Cuidados para a recuperação. |
O que diz o protocolo brasileiro?
O Programa Nacional de Segurança do Paciente foi instituído pela Portaria MS nº 529/2013. A Portaria MS nº 1.377/2013 aprovou o Protocolo para Cirurgia Segura para todas as unidades de saúde do Brasil.[5][6]
- Escopo: todo procedimento com incisão ou inserção de endoscópio, dentro ou fora do centro cirúrgico.
- Condutor: um profissional, médico ou enfermeiro, conduz a verificação com a equipe.
- Item que não confere: a verificação para, e o paciente permanece na sala até a pendência ser resolvida.
- Antibioticoprofilaxia: confirmada nos últimos 60 minutos antes da incisão.
Fonte: [7]
A RDC nº 36/2013 da Anvisa determina que o Núcleo de Segurança do Paciente implante os protocolos e monitore os seus indicadores.[8]
Qual a evidência de que o checklist funciona?
No estudo de Haynes e colaboradores, em oito hospitais de oito países, a mortalidade caiu de 1,5% para 0,8% depois da adoção da lista. As complicações durante a internação caíram de 11,0% para 7,0%.[9]
Um estudo holandês com um sistema de checklists ao longo de todo o percurso cirúrgico registrou queda de 15,4% para 10,6% nos pacientes com complicações.[10]
No Brasil, um estudo em três hospitais de ensino do Rio de Janeiro encontrou eventos adversos em 7,6% dos pacientes. Dos eventos, 66,7% eram evitáveis, e os cirúrgicos foram os mais frequentes.[11]
Como medir a adesão ao checklist?
adesão (%) = procedimentos com a lista aplicada ÷ procedimentos realizados × 100
Ficha de indicador do Proqualis, da Fiocruz. Defina o escopo, como todos os procedimentos com incisão, e use o mesmo período no numerador e no denominador.[12]
O protocolo brasileiro lista seis indicadores para acompanhar a cirurgia segura:[7]
- Percentual de pacientes que recebeu antibioticoprofilaxia no momento adequado.
- Número de cirurgias em local errado.
- Número de cirurgias em paciente errado.
- Número de procedimentos errados.
- Taxa de mortalidade cirúrgica intra-hospitalar ajustada ao risco.
- Taxa de adesão à Lista de Verificação.
Meça a adesão por etapa, e não só como "aplicou ou não aplicou". Uma lista com a Saída em branco aparece como aplicada no total e esconde a etapa que falha.
Como acompanhar a antibioticoprofilaxia?
A Anvisa orienta a dose em até 60 minutos antes da incisão. Vancomicina e fluoroquinolonas começam mais cedo, entre 60 e 120 minutos antes, pelo tempo de infusão.[14]
Em cirurgias longas, a redose acontece depois de um intervalo de duas meias-vidas do antibiótico. Para a cefazolina, a tabela da Anvisa indica repetição intraoperatória a cada 4 horas.[13][15]
A diretriz norte-americana de 2013 também recomenda redose quando a perda sanguínea passa de 1.500 ml. A escolha do antibiótico, a dose e a redose seguem o protocolo da comissão de controle de infecção do hospital.[15]
O protocolo da Anvisa de 2025 traz um indicador para isso, com referência de 100%: "percentual de cirurgias em que a antibioticoprofilaxia foi administrada em até 60 minutos antes da incisão cirúrgica".[14]
Como aplicar o checklist sem virar papel?
- Defina o condutor de cada salaUma pessoa conduz a verificação em voz alta, e a equipe responde.
- Registre no momentoCada etapa é registrada quando acontece, com horário e responsável, e não ao fim da cirurgia.
- Coloque a lista dentro do fluxo da salaA etapa seguinte do registro da sala só começa depois da etapa do checklist correspondente.
- Acompanhe o antibióticoO horário da dose fica visível para a equipe, com o tempo até a redose.
- Devolva os númerosO Núcleo de Segurança do Paciente recebe a adesão por sala, por etapa e por período, e discute os desvios com as equipes.
Como o frank apoia a Cirurgia Segura
No frank, as três etapas do protocolo acontecem na tela da sala, dentro do registro das etapas, com horário e responsável.
A alergia aparece em destaque, e o tempo para a redose do antibiótico profilático é acompanhado na própria sala. A adesão ao protocolo aparece nos relatórios, por sala e por período.
Perguntas frequentes
Quem deve conduzir o checklist de Cirurgia Segura?
O protocolo brasileiro prevê um condutor, médico ou enfermeiro, que conduz a verificação com a equipe. Os itens são confirmados em voz alta.
O checklist vale só para o centro cirúrgico?
Não. O Protocolo para Cirurgia Segura vale para todo procedimento com incisão ou inserção de endoscópio, dentro ou fora do centro cirúrgico.
O que fazer quando um item do checklist não confere?
Segundo o protocolo brasileiro, a verificação para, e o paciente permanece na sala até a pendência ser resolvida.
Qual a diferença entre Sign in, Time-out e Sign out?
São as três etapas da lista. O Sign in acontece antes da indução anestésica, o Time-out antes da incisão e o Sign out antes de o paciente sair da sala.
Como calcular a taxa de adesão ao checklist?
Divida o número de procedimentos em que a lista foi aplicada pelo número de procedimentos realizados no período e multiplique por 100.
Fontes
- Surgical Safety Checklist (revisão 1/2009). Organização Mundial da Saúde (OMS), 2009.
- Segundo desafio global para a segurança do paciente: Cirurgias seguras salvam vidas. OPAS, Ministério da Saúde e Anvisa, 2009.
- Weiser TG et al. An estimation of the global volume of surgery: a modelling strategy based on available data. The Lancet, v. 372, 2008.
- Weiser TG et al. Estimate of the global volume of surgery in 2012: an assessment supporting improved health outcomes. The Lancet, v. 385, supl. 2, 2015.
- Portaria MS nº 529, de 1º de abril de 2013: institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Ministério da Saúde, 2013.
- Portaria MS nº 1.377, de 9 de julho de 2013: aprova os protocolos de segurança do paciente. Ministério da Saúde, 2013.
- Protocolo para Cirurgia Segura. Ministério da Saúde, Anvisa e Fiocruz, 2013.
- Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013: ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2013.
- Haynes AB et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. New England Journal of Medicine, v. 360, 2009.
- de Vries EN et al. Effect of a comprehensive surgical safety system on patient outcomes. New England Journal of Medicine, v. 363, 2010.
- Mendes W et al. The assessment of adverse events in hospitals in Brazil. International Journal for Quality in Health Care, v. 21, 2009.
- Ficha do indicador: taxa de adesão à Lista de Verificação de Cirurgia Segura. Proqualis, Fiocruz, 2026.
- Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde (Caderno 4, 2ª edição). Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2017.
- Protocolo de prevenção de infecção do sítio cirúrgico (versão 1). Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2025.
- Bratzler DW et al. Clinical practice guidelines for antimicrobial prophylaxis in surgery. American Journal of Health-System Pharmacy, v. 70, 2013.