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segurança do paciente

Rastreabilidade no CME: do lote de esterilização ao paciente

Resposta direta

Rastreabilidade no CME é a capacidade de traçar o histórico do processamento de cada produto para saúde e do seu uso, por meio de registros. A RDC nº 15/2012 da Anvisa exige que a esterilização seja documentada para garantir a rastreabilidade de cada lote. Na prática, cada embalagem leva o número do lote, e o lote precisa chegar ao registro do paciente que recebeu o material.

Atualizado em · Equipe frank · 6 min de leitura

O que é rastreabilidade no CME?

O centro de material e esterilização (CME) recebe, limpa, prepara, esteriliza, guarda e distribui os produtos para saúde, como o instrumental cirúrgico.

A RDC nº 15/2012 traz a definição oficial: "capacidade de traçar o histórico do processamento do produto para saúde e da sua utilização por meio de informações previamente registradas".[1]

A definição tem duas metades. O histórico do processamento fica no CME. A utilização acontece no centro cirúrgico, no paciente. A rastreabilidade só fecha quando as duas metades se encontram.

O que a RDC nº 15/2012 exige?

  • Classificação do CME (art. 5º): o Classe I processa produtos não críticos, semicríticos e críticos de conformação não complexa; o Classe II processa também os críticos de conformação complexa.
  • Documentação do lote (art. 25): no CME Classe II, a esterilização deve ser documentada para garantir a rastreabilidade de cada lote processado.
  • Sistema de registro (art. 26): manual ou automatizado, com o monitoramento das etapas de limpeza, desinfecção ou esterilização e a manutenção dos equipamentos.
  • Guarda dos registros (art. 26, parágrafo único): por no mínimo cinco anos, na ausência de legislação específica, para efeitos de inspeção sanitária.
  • Rótulo da embalagem (art. 85): nome do produto, número do lote, data da esterilização, data limite de uso, método de esterilização e responsável pelo preparo.
  • Teste do equipamento (art. 93): teste de Bowie e Dick no primeiro ciclo do dia, nas autoclaves com bomba de vácuo.
  • Indicadores (arts. 96 a 99): integrador químico classe 5 ou 6 em cada carga, indicador físico a cada ciclo e indicador biológico diário, em pacote desafio.
  • Implantáveis (art. 98): indicador biológico a cada carga, com liberação apenas após leitura negativa.

Fonte: [1]

A RDC nº 15/2012 está em vigor. Em setembro de 2026, a Anvisa abriu a Consulta Pública nº 1.420/2026 para uma nova resolução sobre o processamento de produtos para saúde.[2]

O ciclo de esterilização a vapor para uso imediato só é permitido em urgência e emergência (art. 94). Ele exige registro com data, hora, motivo, produto, responsável e identificação do paciente.[1]

Como funciona o caminho do lote até o paciente?

  1. Recepção e conferênciaO CME confere e registra a entrada de todo produto recebido para processamento (art. 62).
  2. Limpeza e preparoA caixa é montada e conferida, e a embalagem recebe o rótulo com o número do lote.
  3. EsterilizaçãoO ciclo registra o equipamento, o lote, os parâmetros e os indicadores usados.
  4. LiberaçãoO lote é liberado depois da leitura dos indicadores exigidos para aquela carga.
  5. Armazenamento e distribuiçãoO produto vai para o estoque estéril e, depois, para a sala da cirurgia programada.
  6. Uso no pacienteNa sala, o lote de cada caixa aberta é associado ao atendimento do paciente.

Fonte: [1]

Quais registros fecham a rastreabilidade?

Registros por etapa e para que servem[1]
EtapaO que registrarPara que serve
RecepçãoProduto, origem, data e responsávelSaber o que entrou e de onde veio
PreparoConteúdo da caixa, conferência e responsávelGarantir que a caixa está completa
EsterilizaçãoEquipamento, ciclo, lote, parâmetros e indicadoresComprovar o processo de cada lote
LiberaçãoResultado dos indicadores e responsávelImpedir o uso de lote não liberado
UsoLote, paciente, sala, cirurgia e dataSaber em quem cada lote foi usado

A última linha é a que mais falha na rotina. Quando o lote não chega ao registro do paciente, a pergunta "em quais pacientes este lote foi usado?" exige busca manual em várias fichas.

Por que a rastreabilidade importa quando algo falha?

Diante de um indicador com resultado alterado ou de uma falha de equipamento, o protocolo do serviço define a resposta. A rastreabilidade é o que permite executá-la a tempo.

Com o lote ligado ao paciente, a equipe identifica em minutos os itens ainda em estoque e os pacientes que receberam o material. Sem esse vínculo, a resposta depende de reconstruir o dia a partir de papéis.

A rastreabilidade pode ser feita em papel?

Sim. A RDC nº 15/2012 admite sistema de informação manual ou automatizado. A escolha muda a velocidade da consulta e o risco de erro de transcrição.[1]

O ponto crítico é o momento do uso. Se o lote é associado ao paciente na própria sala, a informação nasce completa e não depende de digitação posterior.

Como o frank apoia a rastreabilidade no CME

No frank, cada caixa de instrumental tem número e estado. Os ciclos de esterilização registram o lote e o indicador biológico, e cada passo da caixa fica no histórico.

O rastreio responde quais pacientes um lote alcançou. O material de cada cirurgia do dia chega ao CME como pedido por sala, e a sala pode chamar o CME pela própria tela.

Perguntas frequentes

Por quanto tempo guardar os registros do CME?

Por no mínimo cinco anos, segundo a RDC nº 15/2012, quando não houver legislação específica com outro prazo. O prazo serve para efeitos de inspeção sanitária.

Com que frequência usar o indicador biológico na esterilização a vapor?

A RDC nº 15/2012 pede monitoramento diário com indicador biológico em pacote desafio. Em cargas com produtos implantáveis, o indicador entra a cada carga, e a liberação só ocorre após leitura negativa.

O que precisa constar no rótulo da embalagem esterilizada?

Nome do produto, número do lote, data da esterilização, data limite de uso, método de esterilização e nome do responsável pelo preparo, conforme o art. 85 da RDC nº 15/2012.

A RDC nº 15/2012 ainda está em vigor?

Sim. Em setembro de 2026, a Anvisa abriu a Consulta Pública nº 1.420/2026 para uma nova resolução sobre o processamento de produtos para saúde. Acompanhe o resultado da consulta.

Qual a diferença entre CME Classe I e Classe II?

O CME Classe I processa produtos não críticos, semicríticos e críticos de conformação não complexa. O Classe II processa também os de conformação complexa.

Fontes

  1. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012: boas práticas para o processamento de produtos para saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2012.
  2. Anvisa abre consulta pública sobre processamento de produtos para saúde (Consulta Pública nº 1.420/2026). Atlas Público, 2026.